Como descreveria o vosso impulso por criar?
A JVC foi a primeira empresa a desenvolver um receptor de TV no Japão, por isso temos uma longa trajectória de mais de sessenta anos. Deve-se justamente a essa trajectória que, com cada geração de TV, tentamos proporcionar uma qualidade de imagem que as pessoas considerem excepcional. Essa é a nossa meta sempre, e trabalhamos muito diariamente para atingi-la.
Como encara o processo de desenvolvimento?
No departamento de Engenharia, cada especialista está envolvido no processo de desenvolvimento como membro da equipa. O facto da equipa de engenheiros ser formada por indivíduos especializados em diferentes campos e com muita vontade de criar, ajuda muito na qualidade de imagem do produto e o seu rendimento. Tenho fé nisto.
Ao desenvolver os TV LCD, quais eram os vossos objectivos em relação ao design?

Ultimamente, todos os fabricantes de TV anunciaram TV de última geração com ecrãs Full HD, entrada Full HD etc.. Obviamente, há quem considere que a chegou a um ponto de maturação já satisfazendo todas as nossas necessidades. Eu não partilho desta opinião.
Os TV de ecrã plano, que são os produtos dominantes, continuam a evoluir — de um simples ecrã de informação converteu-se num dispositivo que permite expressar as ideias e a sensibilidade artística daqueles que oferecem o conteúdo. Contam contudo, com limitações na sua capacidade expressiva. Estamos utilizando tecnologia original da JVC para permitir cruzar estes limites e criar aquela qualidade de imagem que permita comunicar com o espectador a um nível superior.
Pode ser mais específico?

- Processador de imagem
Bom, na JVC temos um lema genshoku-tankyu — que significa, em busca da cor original. Existe desde a época da TV analógica e expressa o nosso grande interesse na qualidade da imagem. É como dizer: "Assim deveriam ser as cores e as imagens" ou "Sim, assim brilham as coisas, deveriam ver-se do mesmo modo na TV".
Claro que parte da televisão é entretenimento, pelo que não é simplesmente uma questão de garantir uma reprodução fiel: também tentamos despertar as recordações no espectador, ao proporcionar imagens que considere ainda mais belas.
Estamos noutros tempos e foram apresentados novos formatos: dos CRT passámos para os LCDs, de analógico para digital, e assim sucessivamente. Esta evolução nas novas tecnologias trazem novos problemas, mas na JVC sempre nos focámos no seguinte: criar produtos que façam com que o espectador se sinta como se estivesse lá, vivendo as emoções e desfrutando ao vivo das fantásticas vistas. Para consegui-lo, estamos em constante avanço, redefinindo tecnologias e procurando novas formas de criar a classe de imagens que atraiam o espectador.
Há algum elemento em especial no qual se tenham focado para o desenvolvimento do último TV LCD?
Concentrámo-nos no desenvolvimento de um processador de imagem que possa permitir a classe de qualidade de imagens da que falava, e também na forma de reduzir o efeito apagado das imagens que caracterizam os ecrãs LCD.
Pode dar-nos uma explicação breve sobre isso?

O processador de imagens de alta qualidade é o DynaPix. Existem diferentes versões para cada tipo de ecrãs, mas basicamente todos funcionam da mesma forma — detectam as características e qualidade do sinal de entrada, suprimem diversos tipos de ruído dependendo da qualidade e garantem a precisão dos contornos, contraste e cor para toda a imagem. Aquilo que destaca o DynaPix é a velocidade. Processa 50 imagens por segundo em tempo real. Devido ao facto de permitir optimizar a sintonia em cada imagem de entrada, especificamente para um dos painéis da JVC, podemos assegurar que oferece imagens bonitas de alta resolução, com uma qualidade nunca vista.
Também desenvolvemos um processador que reduz o efeito apagado pelo movimento nos LCD — o 100Hz Clear Motion Drive. Em poucas palavras, é uma tecnologia original que garante que as imagens sejam nítidas e sem distorção apesar dos TV LCD terem problemas com os objectos em movimento no Ecrã. Isto consegue-se ao duplicar a taxa de quadros. Ao entrar o sinal de imagem a 50 quadros por segundo, o processador realiza uma série de cálculos a fim de criar uma imagem nova entre dois quadros e duplicar a quantidade de quadros a 100 por segundo. Esta tecnologia foi criada para garantir imagens mais nítidas, brilhantes e precisas.
Qual foi a maior dificuldade neste projecto?

Como mencionei anteriormente, o processador DynaPix realiza um processamento óptimo em cada quadro. Para consegui-lo, temos utilizado todos os anos de experiência e conhecimento que a JVC tem, e criámos um software processador de imagens, para que o chip realize o trabalho por nós.
Mesmo que conseguíssemos o melhor resultado para uma única imagem de entrada, essa sintonia poderia não ser a melhor para outras imagens. Não foi fácil desenvolver um programa que possa proporcionar o melhor processamento de imagens independentemente do sinal de entrada.
Relativamente ao 100Hz Clear Motion Drive, primeiro foi necessário desenvolver um algoritmo para criar novos quadros. Se não se pode calcular o movimento da imagem de forma precisa e utilizar essa informação para criar uma imagem interpolada precisa, não se terá melhorado o efeito apagado da imagem. Mas isso não é tudo, é pior, já que se terá incluído uma imagem inferior, o que empobrecerá a qualidade da imagem.
Obviamente foi um trabalho muito difícil, desenvolver um algoritmo tão preciso, assim como o chip exclusivo para ele e desenvolver, ao mesmo tempo um painel LCD que possa processar uma taxa de quadro duplicada e manter no seu ponto óptimo a capacidade destes elementos.
O ano passado [2006] a nossa concorrência deu-se conta da efectividade dos TV LCD com processadores de 100Hz, a JVC foi o primeiro fabricante no mundo a desenvolvê-los e a oferecê-los em 2005, pelo que foram nossos seguidores. Considero que será a tecnologia standard nos TV LCD que se seguirão. \
Estamos muito contentes por sermos os primeiros no mundo a desenvolver uma tecnologia que fará história na indústria dos TV LCD, mas também queremos continuar a desenvolver novas tecnologias.
Para finalizar, quer acrescentar algo mais?

Como engenheiros, sentimos que a nossa meta é ser os primeiros a desenvolver algo novo no mundo que tenha o potencial de fazer história, mudar as tendências tecnológicas.
A JVC está sempre de olhos postos no futuro, desenvolve novas tecnologias que estão ao nível das circunstâncias em termos de formato e materiais, tecnologias que não existiriam sem a JVC. E estamos empenhados na criação de produtos que agradem à grande maioria dos clientes.


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